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  Detalhes do Projecto  
A Fortificação Moderna em Portugal: A Teoria e a Prática (Categoria: Cursos livres)
Local: Lisboa       Duração: de 07/02/2018 a 21/03/2018
 
 
A Fortificação Moderna em Portugal: A Teoria e a Prática
A Europa no século XVII, em conflito permanente, pretendia afirmar e definir as fronteiras das diferentes Nações. As Guerras na Europa que se prolongaram no século XVIII desenvolveram escolas práticas e fomentaram a proliferação de Tratados de Fortificação Moderna, entendida com Arte e Ciência, que estabeleceram regras de desenho na definição do traçado das muralhas. Este sistema abaluartado desenvolvido pela Escola Holandesa e Francesa era baseadonas relações matemáticas entre as cortinas e os baluartes, e entre a forma ideal e adaptação ao sítio. O espaço urbano e militar era controlado pelo poder central, assim como a aprovação do desenho da linha de cintura de fortificação nas designadas Praças-Fortes.

 

A regularização da linha poligonal era determinante e essa cintura das fortificações no século XVII tornou-se a matriz do desenvolvimento urbano da cidade, onde as estruturas militares se deviam inserir, condicionadas assim ao seu tamanho, e o seu funcionamento em paralelo com as estruturas urbanas. A população militar aumentava, o que obrigava à construção de inúmeros quartéis e armazéns no espaço urbano. Por outro lado, o número de portas da cidade diminui, e em paralelo, a área militar crescia face ao desenvolvimento dos elementos de arquitectura militar, isolando a cidade do território rural envolvente.Neste contexto, a construção da cidade ideal de Palma nova em Itália, erguida em 1593, vai constituir o modelo da Praça-Forte pela regularidade do traçado e da linha cintura poligonal de muralhas, e onde se ergueram as primeiros equipamentos militares para alojamento de uma guarnição militar garantindo a sua defesa. 

 

Coma Restauração, o rei D. João IV, foi obrigado a reformular o sistema de defesa do território, que passaria necessariamente pela intervenção em cidades que ocupavam pontos estratégicos na fronteira. A actualização do conhecimento científico na arte da fortificação era uma constante no seio nas sociedades europeias. A política de afirmação do poder real passava necessariamente pela fortificação dessas cidades a fim de nos inserimos na Europa “Moderna”, aguerra com Castela estava implicitamente ligada às novas teorias de fortificação. Dada a dimensão das obras e ao conhecimento tecnológico que era exigido na realização dos projectos e na construção no terreno, foi necessário criar em Portugal o Conselho da Guerra para aprovar e controlar as obras, e formar os engenheiros militares em escolas específicas de arquitectura militar. Os projectos de fortificação eram delineados por engenheiros militares e sujeitos a concursos que implicavam discussões teóricas. 

 

Cidades e vilas como Elvas, Estremoz, Campo Maior, Castelo de Vide, Évora e Olivença no Alentejo, Monção, Valença, Caminha no Minho, Chaves e Bragança em Trás-os-Montes, Almeida na Beira e Faro no Algarve foram reestruturadas e delimitadas por complexo sistema de fortificações. A delimitação da fronteira funcionava através de linhas de defesa formadas pelas cidades e vilas designadas Praças-Fortes. Estas cidades fortificadas funcionavam como órgãos vitais na defesa do território envolvente à urbe ou para socorrer outras Praças-Fortes no caso de serem atacadas.

 

Dado que as obras de fortificação em Portugal realizaram-se em aglomerados existentes, as intervenções tiveram que respeitar as pré-existências urbanas, que sofreram alterações na hierarquia dos espaços públicos. Um grande investimento foi realizado nas obras de fortificação e estruturas militares em Elvas no Alentejo, Valença no Minho e Almeida na Beira, todas localizadas na linha de fronteira do reino. A vila de Almeida assente num planalto, foi a Praça-Forte portuguesa que mais se aproximou da regularidade quanto ao seu perímetro de muralhas, a sua fortificação é definida por polígono hexagonal contendo as pré-existências urbanas desde o burgo medieval e as suas extensões quinhentistas. A cidade de Elvas, a mais importante no sistema de defesa, de grande dimensão, foi reforçando as cinturas de fortificação até ao século XVIII. A construção do forte da Graça construído em 1762 veio completar a sua terceira cintura composta essencialmente pelo forte de Stª Luzia edificado em 1641. No caso de Valença, as grandes obras de fortificação que se desenvolveram até ao princípio do século XIX, obrigaram as estruturas urbanas a estarem confinadas a um recinto fechado e de dimensão reduzida. Este sistema de fortificação e o tecido urbano de Valença ainda hoje é preservado.

 

As obras militares nas estruturas urbanas portuguesas, transformando-as em Praças-Fortes, não passaria só por factores de estratégia científica militar mas também estava subjacente uma simbologia, era mais importante demonstrar o domínio na arte de fortificar e construir elaborados sistemas de fortificação, um investimento e um processo de melhoramento que durou dois séculos. A classificação de Elvas como Património Mundial pela Unesco, insere-se na valorização do seu sistema de fortificação e das suas estruturas militares,assim como outras candidaturas em curso pretendem esse reconhecimento. Esse património é hoje valorizado pelo seu simbolismo e como obra monumental construída que representa uma Prática, e pela expressão da aplicação da Teoria de acordo com as regras vigentes na Tratadística desenvolvida na Europa.

Coordenador:

ProfessoraDoutora Margarida Valla

ARTIS Instituto de História daArte, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

FCT– Fundação para a Ciência e Tecnologia 

Datas:

Seminários nos dias 07, 14, 21, 28 de Fevereiro de 2018, e 07, 14 e 21de Março, das 18 às 19.30h.

Estrutura do Curso
I. (07 de Fevereiro): A Restauração e a Defesa do Território;

 

II. (14 de Fevereiro): A Tratadística Europeia e o conceito de Praça-Forte;

 

III. (21 de Fevereiro): As Aulas de Fortificação e os Tratados Portugueses;

 

IV. (28 de Fevereiro): O Modelo Urbano e os Equipamentos Militares na Fortificação Moderna; 

 

V. (07 de Março): As Praças-Fortes na Defesa da Fronteira em Portugal;

 

VI. (14 de Março): Almeida, o Quartel-General da Beira. Chaves, o Quartel-General de Trás-os-Montes. Valença, a Praça-Forte do Minho;

 

VII. (21 de Março): Elvas, “Praça-Chave” do Reino. Estremoz, o Quartel-General do Alentejo.

 

Visita de estudo: a definir

O Local
Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos

Rua Barros Queirós, n.º 20, 1.º Esq.

As datas
Seminários nos dias 07, 14, 21, 28 de Fevereiro de 2018, e 07, 14, 21 de Março de 2018, das 18 às 19.30hs. 

Informações
Telefone: 218 885 381
Fax: 218 885 342
E-mail: patrimonio@amigosdoscastelos.org.pt



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