Os associados e amigos que anualmente se envolvem nas actividades são a alavanca dos Amigos dos Castelos. O dinamismo acontece ao orientar ou participar nas visitas, ao fazer ou tomar parte nas palestras, ao dizer o que pensa, etc. A alavanca não são os patrocinadores institucionais. Estes apoiam, em aspectos concretos, o movimento cultural que tentamos consolidar. É muito necessário o seu apoio mas não são agentes directos.
Para mantermos o equilíbrio dinâmico é essencial cuidar do espírito. A conjugação de esforços dos associados só se pode fazer com o caminho balizado, regulamentando aos poucos as boas práticas. A diferença de opinião, o sonho, a dúvida, o entusiasmo, a divergência, a confiança, a crítica, a convergência fazem parte do dia a dia e revelam que somos humanos. Para sermos património vivo devemos descobrir o melhor de cada um. Não resistiremos se não soubermos costurar essas contradições, as diferenças nos olhares. Estamos num sistema aberto que se pode renovar e reorientar sempre que for necessário. Há que cuidar dos objectivos dos Amigos dos Castelos: a divulgação do património histórico fortificado tendo em vista a sua salvaguarda e a sua identidade, incluindo o património natural e ambiental em que os castelos e fortalezas se inserem. Procuramos encontrar caminhos que nos façam ir mais longe, cada vez mais longe, com pouco ruído e fora da ribalta. O que de bom se ergue em silêncio é mais sólido e tem a frescura dos frutos na árvore. A nossa identidade constrói-se dia a dia.
A alavanca que mantém em movimento uma associação cultural pode ser muito diversa: do elitismo ao simples prazer de conviver, passando pelo nacionalismo ou pelo espírito de grupo, há as mais diversas cambiantes. O nosso modelo parece assentar no dinamismo aberto, na tentativa de ter qualidade, no manter o diálogo com as pessoas e instituições. Tudo num país em que a consciência geral do valor das associações de defesa do património construído é ainda uma abstracção. Os associados são parceiros desta aventura da defesa do património; não são clientes de uma empresa cultural. De verdadeira aventura se trata porque o roteiro não está feito. Todos temos uma palavra a dizer mas também têm todos um contributo a dar: em primeiro lugar, o vínculo da quota anual; depois, o proveito que fica para os Amigos dos Castelos nos eventos que promovemos. Nós não pagamos as actividades. Nós contribuímos quando participamos, sejamos associados, voluntários, coordenadores, técnicos de património, convidados ou orientadores. Ninguém tem privilégios a não ser o de participar na vida dos Amigos dos Castelos.
Quando achar que alguma coisa está menos bem, escreva ou mande um e-mail; quando achar que está muito bem, escreva ou mande um e-mail. Pode ainda intervir utilizando o site dos Amigos dos Castelos. Vamos cimentar a relação entre o eu e os outros constituindo mais Associação.
Francisco Sousa Lobo
Presidente da Direcção