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  Mensagem do Presidente  

Um castelo para a crise

A fortificação é praticada pelo Homem há mais de 10 000 anos para se proteger das ameaças à segurança pessoal ou à dos seus bens. A evolução das estruturas físicas de protecção primitivas deu origem, em plena Idade Média, aos castelos que se recortam contra o céu no alto dos montes e das colinas. Ao nível do pensamento desenvolveu-se, paralelamente, a ideia de fortificar o espírito, conforme vinha sendo referido desde a Antiguidade em textos filosóficos e religiosos.
O nosso sistema defensivo deve ser proporcional às ameaças para que a energia que investimos na nossa protecção não seja excessiva, mas a noção que temos dos perigos varia de pessoa para pessoa. Quem já passou por experiências limites ou por grandes dificuldades está mais preparado para enfrentar os dias que se anunciam. No entanto, se compararmos as vantagens e os apoios de que dispomos com o que se passava há 50 anos atrás verificamos que as diferenças são incomensuráveis. Então, não havia Segurança Social para quem quer que fosse. Quando morria o pai da família, que era normalmente o sustento do agregado, as pessoas mais próximas, geralmente parentes ou padrinhos, mobilizavam-se para apoiar os órfãos e as viúvas. O Estado Social é uma invenção recentíssima da Contemporaneidade que, se mal interpretado, corre o risco de subalternizar a família, a célula mais forte da sociedade. A genética determina os traços gerais do nosso ser, e o conhecimento dos nossos familiares, desde as doenças aos comportamentos, ajudam-nos nas escolhas e nos cuidados do quotidiano.
Para além da família, podemos contar com as redes sociais, os grupos de pessoas que escolhemos nos nossos relacionamentos. O ideal dos Amigos dos Castelos insere-se nas nossas vidas a este nível. Esta associação de defesa dos bens culturais procura proteger, em primeiro lugar, as pessoas, o património vivo, de que o património construído é um reflexo.
A nossa experiência de relacionamento com milhares de associados, durante anos, ajuda-nos a compreender que é necessário estabelecer um programa de combate às dificuldades. As áreas culturais ajudam-nos a manter a “saúde do espírito”, o primeiro passo para manter a “saúde do corpo”. Ser associado dos Amigos dos Castelos é, assim, uma boa medida para encarar as apreensões de cada um. Não é fácil despirmo-nos hábitos e das “aspirações” que nos inculcados pelos padrões de consumo e de comportamento dominantes nos países ocidentais. Muitos de nós, ou quase todos, fazemos parte dos 10 % da população mundial que mais tem. Possuímos, normalmente, um tecto, água potável, sistemas de esgotos, electricidade, aquecimento, sistemas de comunicação rápida e fácil, transportes colectivos, em muitos casos uma viatura própria, assistência médica básica assegurada, tantas coisas a que só somos capazes de dar valor se tivermos passado por grandes privações ou por uma experiência de guerra.
Para combater a crise, mobilize mais associados. As actividades culturais contribuem para manter o “moral das tropas”.

Francisco Sousa Lobo
Presidente da Direcção

  
     
  
     
  
 
     
     
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