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  Mensagem do Presidente  
 

Presentes
Estamos próximos do fim do ano, época em que a palavra “presente” é muito utilizada. A tradição do Natal, como festa de família, tem alguns séculos entre as comunidades cristãs, mas havia povos do hemisfério Norte que já comemoravam este período de forma especial. A Luz recomeçava a ganhar a batalha às Trevas nessa altura do ano, quando a noite se tornava, de novo, mais curta, para dar lugar a dias mais longos. Apesar disto, viajando pelo Mundo, podemos verificar facilmente que a festa do Natal não é Universal, nem sequer adoptada pela maioria da população do planeta. As culturas são diversas, mas todas elas têm festas que também aproximam as pessoas.
Quando comemoramos o Natal não temos a noção de que, nesses dias, fazemos parte de uma minoria que reúne a família e deseja os melhores votos aos outros. Nos Amigos dos Castelos já passámos o Natal a 7 de Janeiro, quando estávamos em Lalibela, na Etiópia. Também já nos ofereceram um bolo com um Pai Natal na Passagem de Ano no Sul do Irão. Se viajarmos para a China, podemos ser envolvidos pelas festas do Ano Novo Chinês, em que as pessoas se felicitam com alegria. Na Índia, os hindus têm várias festas ao longo do ano ligadas com as divindades ou com a natureza. Os muçulmanos comemoram, para além do Ramadão, a Festa do Sacrifício.
Abertos ao Mundo que nos rodeia, nos Amigos dos Castelos tentamos conhecer por dentro as outras culturas como forma de compreender melhor a nossa. No Mundo Global em que vivemos vai ser cada vez mais difícil, nos próximos anos, o entrosamento cultural dos povos. As barreiras que existiam entre os países e as regiões do globo estão a ser quebradas mais depressa do que a nossa capacidade de adaptação aos outros. O choque do Futuro já ocorre, fortemente, no Presente. Não sabemos o que vai acontecer, se a Humanidade, ou seja, cada um de nós, como parte de um todo, será capaz de fazer um esforço para se descobrir a si próprio no outro, que é de outra cor, de outra cultura, fala outra língua, usa roupas diferentes, tem outros costumes.
Viajar como forma de conhecer os outros povos é muito diferente de viajar para sobreviver. Nas nossas visitas de estudo, nacionais e internacionais, temos observado o comportamento de cada um de nós. Por vezes, reagimos mal a coisas elementares. Para viajar como forma de lazer e de enriquecimento cultural, também se exige algum esforço. A viagem dos próximos dias é a do Natal, uma viagem interior de reflexão à procura do melhor de nós. Nos Amigos dos Castelos procuramos cultivar um espírito especial, em que o principal presente é estar presente. Traga um amigo!

Bom Natal

Francisco de Sousa Lobo

  
     

CASTELOS DE PRATA

No próximo dia 29 de Julho um quarto de século passou sobre a escritura de constituição da Associação. Essa vontade colectiva concretizada por um grupo de associados liderados pelo Dr. Jorge Figueiredo, concretizou-se nesse gesto fundador. A Associação iniciou-se nesse dia com uma dezenas de pessoas que tinham estado presentes no II Congresso de Monumentos Militares Portugueses.

Ao entusiasmo dos fundadores seguiu-se a caminhada que os esperava. Fundar o Castelo corresponde a construir os seus alicerces, missão que exige ponderação e esperança. O que se segue é o esforço diário de fazer subir as muralhas, as torres, modelar as portas, construir as ameias, escavar as cisternas, nivelar as plataformas, etc... mas depois de construirmos uma estrutura razoável temos o trabalho quase ignorado de o manter.

A Associação está viva porque lutamos todos os dias. Sentimos no entanto que o mais difícil ainda está por fazer. Mantemos e desenvolvemos um activo programa de actividades, mas a nossa intervenção na sociedade é muito limitada. Teríamos de ter muitos mais associados e uma estrutura muito mais forte para conseguir influenciar de forma evidente as tomadas de decisão das entidades públicas e privadas nas áreas do Património e do Ambiente. Interesses individuais ou de grupos restritos que não acautelam os bens culturais ou equilíbrio do território e da paisagem prevalecem muitas vezes sem que seja possível agir em tempo oportuno.

O nosso papel mais importante tem sido silencioso. Divulgar o Património para que as pessoas tomem consciência dos valores culturais que são pertença sua. Apaixonante tem sido também trabalhar com as escolas com os Projectos Educativos. Vamos tentar desenvolver as actividades em que juntamos as famílias, os mais crescidos, os assim e os mais pequenos todos juntos criando oportunidades para passar a mensagem para o futuro, a juventude.

Festejamos estes 25 anos sem pompa e circunstância como é nosso timbre. Ao longo do ano estamos a ter uma série de iniciativas que marquem estes ''Castelos de Prata''. Para além da exposição o Forte de São Bruno intitulada ''25 Anos, 25 Castelos'', do dia dos Castelos em 07 de Outubro vamos realizar o VIII Congresso dos Monumentos Militares, de âmbito internacional subordinado ao tema “Fortificação Costeira: dos primórdios à modernidade”.

Desafiamos os nossos associados a inscreverem-se nestas três actividades, contribuindo assim para aumentar a dinâmica da Associação, estreitar os laços entre as pessoas e festejar com alegria ''Os Castelos de Prata''.

Francisco Sousa Lobo
Presidente da Direcção

  
     

Os associados e amigos que anualmente se envolvem nas actividades são a alavanca dos Amigos dos Castelos. O dinamismo acontece ao orientar ou participar nas visitas, ao fazer ou tomar parte nas palestras, ao dizer o que pensa, etc. A alavanca não são os patrocinadores institucionais. Estes apoiam, em aspectos concretos, o movimento cultural que tentamos consolidar. É muito necessário o seu apoio mas não são agentes directos.

Para mantermos o equilíbrio dinâmico é essencial cuidar do espírito. A conjugação de esforços dos associados só se pode fazer com o caminho balizado, regulamentando aos poucos as boas práticas. A diferença de opinião, o sonho, a dúvida, o entusiasmo, a divergência, a confiança, a crítica, a convergência fazem parte do dia a dia e revelam que somos humanos. Para sermos património vivo devemos descobrir o melhor de cada um. Não resistiremos se não soubermos costurar essas contradições, as diferenças nos olhares. Estamos num sistema aberto que se pode renovar e reorientar sempre que for necessário. Há que cuidar dos objectivos dos Amigos dos Castelos: a divulgação do património histórico fortificado tendo em vista a sua salvaguarda e a sua identidade, incluindo o património natural e ambiental em que os castelos e fortalezas se inserem. Procuramos encontrar caminhos que nos façam ir mais longe, cada vez mais longe, com pouco ruído e fora da ribalta. O que de bom se ergue em silêncio é mais sólido e tem a frescura dos frutos na árvore. A nossa identidade constrói-se dia a dia.

A alavanca que mantém em movimento uma associação cultural pode ser muito diversa: do elitismo ao simples prazer de conviver, passando pelo nacionalismo ou pelo espírito de grupo, há as mais diversas cambiantes. O nosso modelo parece assentar no dinamismo aberto, na tentativa de ter qualidade, no manter o diálogo com as pessoas e instituições. Tudo num país em que a consciência geral do valor das associações de defesa do património construído é ainda uma abstracção. Os associados são parceiros desta aventura da defesa do património; não são clientes de uma empresa cultural. De verdadeira aventura se trata porque o roteiro não está feito. Todos temos uma palavra a dizer mas também têm todos um contributo a dar: em primeiro lugar, o vínculo da quota anual; depois, o proveito que fica para os Amigos dos Castelos nos eventos que promovemos. Nós não pagamos as actividades. Nós contribuímos quando participamos, sejamos associados, voluntários, coordenadores, técnicos de património, convidados ou orientadores. Ninguém tem privilégios a não ser o de participar na vida dos Amigos dos Castelos.

Quando achar que alguma coisa está menos bem, escreva ou mande um e-mail; quando achar que está muito bem, escreva ou mande um e-mail. Pode ainda intervir utilizando o site dos Amigos dos Castelos. Vamos cimentar a relação entre o eu e os outros constituindo mais Associação.

Francisco Sousa Lobo
Presidente da Direcção

  
 
     
     
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